
Já fazem alguns dias que uma "misteriosa" propaganda começou a ser veiculada na mídia televisiva brasileira. O mistério não se resume apenas à propaganda em si mesma, mas à frequência em que ela tem aparecido, e a nítida tentativa de ocultar a assinatura de seus autores desde os primeiros dias em que foi exibida.
O vídeo tem fundo negro, mostra várias declarações de membros do PT em campanha eleitoral, depois manchetes de jornal e revista que enfocam o escândalo atual, e então sobrevém a frase: "PT e Lula: um péssimo exemplo para o Brasil".
A propaganda política, que nos primeiros dias de sua exibição não foi assinada (no Brasil as propagandas políticas partidárias ao menos em tese devem ser assinadas), a alguns dias, recebeu (também misteriosamente) uma pequena marca d´água como assinatura. Quase não pode ser percebida, já que é transparente sobre o fundo negro, mas para quem olha atentamente, com alguma dificuldade consegue ler: "PFL". Com o misterioso aparecimento da assinatura do partido, dificilmente vista, pode-se ver - após toda a inicial dificuldade - que se trata de uma propaganda eleitoral, liberada para um partido de oposição que curiosamente busca velar sua própria identidade.
Curioso também é ver a frequência com que essa propaganda aparece nos horários nobres. Mas é mais curioso ainda perceber a atitude da assinatura, para quê serve, que sentido haveria um partido político veicular uma propaganda com tom essencialmente negativo, e em tese (já que a assinatura é quase imperceptível) não assinada.
A atitude da assinatura - e o objetivo da propaganda - pode ser percebida a partir da sensação que temos ao assistir esses vídeos: ao ver figuras influentes do PT anunciando em campanhas eleitorais a ausência de corrupção nesse partido, seguidas por anúncios de jornais que contradizem os petistas mostrando o próprio escândalo atual, a sensação é de indignação geral. Frente aos "Fulano diz", "Ciclano diz", a sensação generalizada que temos de corrupção, reiterada seguidamente pela mídia, se confirma por esse estranho "panfleto".
Mas como se pode, de uma estrutura tão formal quanto o Partido da Frente Liberal, admitir o panfleto não assinado (embora, muito discretamente, o seja)? Embora tenha mudado a tática de sua propaganda política para marcar de modo veemente sua oposição ao PT, a propaganda do PFL não é deliberadamente assumida; talvez para demonstrar que o sentimento não é apenas o do partido, mas o do povo - essa seria sua estratégia política; mas talvez também para demonstrar que o PFL seria algo que, isento de todo esse sentimento, proposse algo novo. Lembro-me que o PT sempre assinou suas propagandas, com aquele vermelhão que por muito tempo foi taxado (pela mídia?) de "radical"; mas e esses novos ventos de propagandas não assinadas por partidos de velhos lobos que buscam para si mesmos a imagem de serem ausentes de corrupção, o quê trariam?

